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Vem bem a calhar um diálogo entre Arjuna e
Krishna no Bhagavad-Gita. Arjuna pergunta a Krishna a respeito do homem
liberto. Como vive uma pessoa assim, como age, e como
come e dorme? A resposta sumária de Krishna é: Externamente, ele é como qualquer outra pessoa, come, dorme e vive como as
outras pessoas. E contudo é totalmente diferente, porque não
faz nenhuma dessas coisas pelas mesmas razões que o homem comum. Há uma diferença dimensional em sua consciência. Isso é importante, e não suas realizações, educação, erudição, ou
todas as palestras que possa ministrar, etc. Mesmo sem
essas coisas, sua importância não seria menor. Como alguém
comunica isso? A pessoa sente isto em sua presença, mas
não é possível colocar em palavras. Aquilo que se pode
colocar em palavras são apenas as ações exteriores, as palavras que se ouve, os
pensamentos que se tem, etc., não se pode transmitir o estado de mente ou de
consciência do qual emanam essas palavras. É algo que
é sentido nas entrelinhas. Aliás, eu não conheci Krishnamurti muito
bem. Nunca trabalhei junto a ele, nem vivi ou
viajei com ele. Eu era apenas um estudante um tanto ativo,
entusiasta de seus ensinamentos, que aproveitava cada oportunidade para
dialogar com ele, para ouvir suas palestras, e fazer perguntas conforme surgiam
em minha mente. Meu primeiro encontro com seus
ensinamentos foi em 1955, quando tinha dezessete anos. Durante as férias de verão, quando mexia nos armários de meu pai,
encontrei um pequeno livro, Palestras para Estudantes. Jamais ouvira falar de Krishnamurti nem sabia nada a seu respeito.
Pelo fato de o livro ter como título 'Palestras para
Estudantes' eu comecei a lê-lo. Ele respondia a todas aquelas perguntas que
surgiam na minha mente adolescente, e sobre as quais
meus professores jamais falavam. Ele dialogava com estudantes sobre se respeito
e medo eram a mesma coisa: 'Por que vocês se levantam quando o professor entra
em sala?' Ele perguntava às meninas 'Por que vocês põem o 'tika' (ponto
vermelho) na testa?', de maneira não depreciativa, sem criticar, mas com
seriedade. 'Vocês sabem por que fazem todas essas coisas?
Qual é a significação? Nunca se
perguntaram a respeito? Nunca se questionaram? Por que têm medo dos exames?' Não falamos a respeito dessas
coisas como parte da educação. Por isso,
fiquei fascinado, e lia seus livros cada vez mais. Posteriormente
perguntei ao meu pai a respeito de Krishnamurti, e ele me contou a história de como ele foi educado na Sociedade Teosófica, como foi
'descoberto', etc. Fiquei muito impressionado com o livro A
Primeira e Última Liberdade, o qual criou uma certa imagem ou quadro em minha
mente de alguém parecido com um santo budista, calmo e imperturbável.
Assim, quando o vi pela primeira vez fiquei perplexo e
um pouco chocado, já que ele não era absolutamente tal qual a imagem que eu
tinha em minha mente. No inverno de 1958 ele estava em Nova Delhi com o senhor
Shiva Rao, um amigo de família. Eu estava estudando para o Mestrado em Física na Universidade de Nova Delhi, e estava profundamente
interessado em conhecer o autor dos livros que tinha lido. Assim,
o senhor Shiva Rao convidou-me para almoçar com ele. Antes do almoço,
quando fui apresentado a Krishnamurti, ele me perguntou, 'O que você faz?', e eu disse, 'Estudo física na universidade'. E ele disse, 'Por que você está estudando física?' Eu achei
a coisa um tanto estranha, porque todos nós passamos pela universidade, e eu
disse, 'Bem, para conseguir um emprego, ganhar a vida, estabelecer-me na vida'. Ele se dirigiu a Shiva Rao, 'Olhe para este jovem, dezenove anos e já está preocupado a respeito de
se estabelecer na vida, de se casar e ganhar a vida!' Eu me
senti diminuto, imaginei que ele estava me criticando. Por isso disse,
'O que há de errado nisto, senhor?', e ele disse,
'Faça o que quer que você goste: peça esmolas, peça emprestado ou roube, mas
não se preocupe a respeito do futuro, a respeito de como ganhar a vida'. Eu
fiquei assustado! E perguntei, 'Roubar?', e ele
respondeu, 'Não, senhor, não roubar. Quero dizer qualquer
coisa, mas faça com paixão, porque você gosta de fazê-lo, e não porque tem de
fazê-lo, não porque quer ganhar a vida'. E
acrescentou, 'Este é o problema com a nossa educação, cujo único propósito é
apenas ganhar a vida e conseguir um emprego. Transformamos a educação numa ocupação tão pequena, tão horrenda!' Ele era assim; não tentava agradar nem impressionar as pessoas.
Era espontâneo, sem fingimento, e pleno de paixão. Ele disse que as memórias de sua infância
foram completamente apagadas. Toda experiência que
teve desde 1922 tinham obliterado aquelas memórias de seu cérebro. Ele disse que não se lembrava de Adyar, embora tivesse vivido lá.
Ele disse, 'Não consigo lembrar o rosto de meu irmão Nitya.
Mal consigo lembrar o rosto de Amma (referindo-se à Sra.
Besant). Depois ele me disse, um tanto
misteriosamente, 'É claro que eu consigo lembrar, senhor, se o quiser'.
Tudo aquilo para mim ainda é sem pé nem cabeça. Eu costumava fazer muitas perguntas ao
final de suas palestras. Certa vez após uma dessas
sessões de perguntas eu fui cumprimentá-lo (ele segurou minha mão muito
afetuosamente) e disse: 'Perguntas demais, meu rapaz, perguntas demais'.
O amor, a afeição que se sente em sua presença é
indescritível. De 1959 em diante, após concluir o Mestrado, fui para a
Universidade Hindu de Benares como Bolsista de
Pesquisa em Física, e ele foi para Benares para dar palestras em Rajghat. Sempre que podia eu pedalava cerca de oito a dez quilômetros de
bicicleta desde a minha cidade para assistir suas palestras. Numa dessas
palestras ele disse: 'A mente disciplinada é uma mente preguiçosa'. Para mim uma pessoa disciplinada é ativa, regular, cumpridora de
todas as suas obrigações. Por isso, quando lhe
perguntei o que ele quis dizer, ele respondeu 'Se não for preguiçoso, por que
precisa disciplinar-se? Se você tem de se levantar às seis horas da
manhã e se não é preguiçoso, você se levanta! Não é preciso
disciplina para isto. Mas se você é preguiçoso,
você precisa de muita disciplina. Assim, o homem que está
tentando disciplinar-se é preguiçoso'. Nessas poucas palavras ele explicou a
dualidade dos opostos. Quando alguém tenta cultivar a
coragem significa que tem medo. Tentar ser não
violento implica em ser violento. Sempre que tentamos
perseguir algo, o seu oposto está presente. Em vez de
perseguir o oposto, deve-se concentrar em pôr fim à preguiça. A preguiça tem uma causa, talvez a pessoa não coma, não durma ou se
exercite apropriadamente, ou seu corpo esteja dolorido e não tenha energia
suficiente. Em vez de corrigir isso, se a pessoa busca cultivar a
disciplina, culmina em perpetuar a preguiça, e ocorre uma contenda entre as
duas. Quando Krishnamurti falava para estudantes
jovens, ele lhes falava em seu próprio nível. Com
David Bohm ele falava no nível de David Bohm. Em cada
caso ele estava igualmente pleno de entusiasmo, independentemente da pessoa com
quem estivesse conversando. Ele não julgava as pessoas em termos de
posição social nem de realização, como fazemos. Eu sempre o achei alerta, sensível, atento, perceptivo. Não havia traço de preguiça nele. Havia uma abundância de
afeição por todos, mas isso não quer dizer que ele
transigisse com a verdade ou a evitasse se fosse amarga. Eu queria tirar um retrato dele, e carreguei a máquina
fotográfica o dia inteiro. Mas naqueles dias ele não permitia
que se tirasse retrato seu. Também não permitia que ninguém
anotasse suas palestras. Ele não queria que suas palestras fossem
reduzidas a uma forma de conhecimento. Ele queria que elas fossem uma experiência de ver juntos qualquer
que fosse o assunto sobre o qual estivesse falando. Ele enfatizava
repetidamente que não estava dando uma palestra: 'Isto não é algo que eu estou
tentando passar para vocês, alguma informação que vocês não têm. Estamos
olhando para a vida, juntos como dois amigos'. Embora estivesse
falando para toda a congregação, ele enfatizava que era essencialmente uma
conversa de um para um, entre dois amigos, e que usava suas afirmações como um espelho colocado entre ambos, para olharmos para
nossas próprias faces, e verificarmos se que o ele estava dizendo era
verdadeiro ou não, sem aceitar a coisa cegamente. Naturalmente ele não estabelecia valor sobre concordar ou
discordar como tal, porque não faz sentido. Ele dizia, 'Eu posso concordar com você ou ambos podemos concordar
a respeito de algo ou podemos discordar, e ainda não saber qual é a verdade.
Valioso é ver a verdade – e não concordar ou discordar, ou
ter opiniões a favor ou contra'. Quando eu lhe perguntei, 'Senhor, fostes alguma vez parte do
campo e pulastes fora dele ou estivestes sempre fora do campo?' Ele disse: 'Eu
também me pergunto isto'. Ele também questiona por que no caso do menino
Krishnamurti, educado na Sociedade Teosófica, que não
conseguia passar nos exames e que era um tanto obtuso segundo os padrões
normais, sua mente não se condicionou como as das demais pessoas. Por que será que ele manteve essa abertura para perceber algo novo?
Quando você escolhe um menino e o educa para ser um Dalai lama,
ele se torna o Dalai lama. Assim, seria normal para ele se
ter tornado um grande teosofista, o chefe da Sociedade Teosófica. Como
ele chegou a algo totalmente novo? Por
que todas as outras crianças são condicionadas, e acham difícil escapar desse
condicionamento, enquanto esta criança aprendeu a partir de cada experiência? Em 1925, quando tinha trinta anos, enquanto viajava de navio
para a Índia, ele recebeu a notícia da morte de seu
irmão e sentiu uma dor profunda. Mas quando chegou à
Índia estava totalmente tranquilo. Depois ele escreveu a um amigo a respeito
dizendo, "Enquanto houver consciência de si mesmo, há morte, solidão e dor. Passei por isto quando Nitya morreu e compreendi o que
havia por trás da dor, a causa da dor. Eu driblei a morte". Parece que ele estava tentando
dizer que a morte de seu irmão veio sob a forma de dor pessoal: e que isso
poderia tê-lo encurralado num estado de autopiedade, etc., como
teria acontecido com a maioria de nós; em vez disso, ele conseguiu ver através
da dor pessoal, compreendeu o significado da morte e do apego, e se libertou. Qual é a qualidade de uma consciência ou de uma mente que passa
pela experiência e em vez de adquirir um complexo, um preconceito, ou um novo
condicionamento, vê a verdade e se liberta? Certa vez um homem disse a Krishnamurti que ele era um
felizardo por ter sido educado na Sociedade Teosófica
com instrutores como Leadbeater e a Sra. Besant, e ele disse: 'Sim, fui muito
afortunado em ter instrutores como eles'. Então o homem
disse, 'Nós que não somos tão afortunados e passamos através de instituições
comuns, como podemos chegar à verdade?' E ele respondeu: 'Senhor, eu fui
afortunado porque tudo que eles me diziam entrava por um ouvido e saia pelo
outro'. E ele não estava dizendo um disparate. Ele apenas queria dizer que os instrutores não condicionaram sua
mente segundo aquilo que estavam ensinando. Todo o seu ensinamento é que
a pessoa deve chegar à verdade por si mesma, sem
aceitá-la de um instrutor, porque então ela se torna apenas palavras, e isto
não é 'ver'. A última vez que visitou a Índia, em 1985, eu almocei com
ele em Rajghat, e como frequentemente acontecia ele fez perguntas que ninguém
conseguia responder: 'Senhor, será que os brâmanes desapareceram deste país?'
Eu disse: 'Depende do que quereis dizer por brâmane, senhor. Um
quarto da população daqui se considera brâmane'. E ele
disse, 'Não, não de nascimento – isso é tolice. Você
sabe o que é um brâmane?' Eu disse, 'O que quereis
dizer por brâmane?' Ele respondeu com uma história. Quando Alexandre invadiu a Índia e
combateu Porus, ele venceu. Quando entrou na cidade,
ele viu uma excelente administração, toda a terra estava arrumada, limpa e bem
mantida, as pessoas viviam felizes. Ele perguntou a Porus
quem era o responsável pela administração? Porus respondeu: 'Havia um
brâmane que era primeiro-ministro, e que era responsável por toda a administração'. Alexandre disse, 'Eu
gostaria de conversar com ele'. Porus respondeu, 'Ele
renunciou porque perdemos a guerra, e foi para sua aldeia'. Alexander respondeu, 'Apesar disso, chame-o'. E assim enviaram um mensageiro que retornou no dia seguinte com a
resposta, 'Diga ao rei que não estou mais sob seu serviço. Um brâmane não se dirige a ninguém, portanto lamento por não poder
ir'. Ao ouvir isto, Alexandre disse, 'Tudo bem, eu irei até sua aldeia'. Alexandre foi levado até a aldeia,
onde o brâmane estava sentado sob uma árvore ensinando a duas crianças. Quando Alexandre foi anunciado o homem olhou para cima e disse, 'Em
que posso servir?' Alexandre disse, 'És o homem que
era o primeiro-ministro?' E veio a resposta, 'Sim'; e
Alexandre então disse, 'Fizeste uma excelente administração', e o homem
respondeu, 'Obrigado'. Então Alexandre perguntou-lhe 'Queres ver comigo?
Levar-te-ei à Grécia, dar-te-ei um palácio, tornar-te-ei
chefe de todos os meus exércitos. Vem comigo!'
O homem ponderou a respeito, olhou para Alexandre e respondeu, 'Sinto muito,
quero ensinar a essas crianças'. Krishnamurti
então disse, 'Aquele era um brâmane – alguém que você não consegue comprar,
alguém que não trabalha por recompensa. Ele fez o que era certo para um
brâmane fazer: ele administrou da melhor maneira possível. Quando
perdeu a guerra ele se responsabilizou pela derrota e renunciou, que é a coisa
certa que o brâmane deve fazer. Quando estava na
aldeia, ele fazia o que queria, não em subserviência ao rei, nem buscando algum
trabalho que desse maior recompensa. Essa é qualidade do brâmane'. Após contar esta história, Krishnamurti perguntou-me, 'Agora me
diga, será que os brâmanes desapareceram deste país?' Eu disse, 'Eu não
sei, senhor, talvez ainda haja algum nos Himalaias, mas
ainda não encontrei nenhum'. Numa outra ocasião ele me perguntou,
'Existe ainda alguma coisa singular neste país?' E eu disse, 'Talvez o
modo familiar de viver, a afeição que as pessoas têm
umas para com as outras. Mas não posso dizer que isto seja singular, porque
existe em outras partes também, embora talvez não na
mesma medida'. Ele assentiu com a cabeça e continuou quieto.
Frequentemente ele deixava as pessoas com interrogações desse
tipo. No dia seguinte quando o encontrei ele disse, 'Quer que lhe diga o
que é singular a respeito deste país? Tenho viajado o mundo
inteiro, e tenho observado. Este é o único país onde o
homem pobre ainda sorri'. Esse é o tipo de coisa que ele observava, não
palácios, realizações, pontes, estradas de ferro. Ela
observava as pessoas, o modo como viviam, e ele via
que o homem pobre na Índia ainda sorria. O homem pobre na
América ou na Europa sente-se miserável, marginalizado, mas na Índia seu
espírito não foi ainda destruído apesar da pobreza. Então ele
acrescentou, 'Embora estejamos perdendo essa qualidade em nosso país, ela ainda
existe'. Essas perguntas e comentários tornam-se
fonte de grande aprendizado se a pessoa se debruçar sobre eles, se os levar em
consideração. Ele jamais quis que aceitássemos o que dizia, mas que refletíssemos a respeito, ponderássemos por nós
mesmos, e víssemos se era verdadeiro ou não. A pessoa tem de
fazer o trabalho por si mesma. Em toda sua vida ele jamais permitiu que
alguém o usasse como muleta: ele não queria
discípulos, não queria auxílio, nem senso de renúncia. Ele
dava suas palestras apenas por afeição. Assim, como se pode descrever uma
consciência dessas? O que quer que se diga é tão literal, tão inadequado,
comparado com o que se quer dizer. Não é pelo fato de ele ter
dado palestras maravilhosas; é possível encontrar oradores melhores. É
possível até mesmo encontrar pessoas que consigam explicar seus ensinamentos de
maneira mais sistemática. A habilidade para falar ou
ministrar palestras é trivial, embora seja útil. O que está na consciência – a liberdade, o amor e a compaixão, é que é
precioso. Somos todos afortunados de ter tido uma pessoa
assim entre nós. Não importa se o consideremos como
teosofista ou não, se ele deixou a Sociedade Teosófica ou não. Todas essas coisas são triviais. Um homem
assim não pertence a ninguém, não pertence à Fundação Krishnamurti, nem à
Sociedade Teosófica. Ele não pertence à Índia, mas
ao mundo. Certamente, ele nasceu numa família particular,
cresceu e foi educado em alguma escola. Essa escola poderia ter o
crédito de ter produzido uma pessoa assim, mas ele era
assim por causa da escola, ou apesar dela? Achyut Patwardhan disse-me certa vez que o Instrutor do
Mundo nasceu em resposta às lágrimas do mundo. Portanto ele
pertence à humanidade. A senhora Besant disse a
Achyut, 'Quando você achar que discorda de algo que Krishnamurti disse, jamais
descarte a coisa, nem a ignore; mantenha-a na mente. Ele é
uma consciência superior, e quando essa (consciência) diz algo devemos refletir
a respeito, e não rejeitar'. Achyut disse: 'Jamais rejeitei alguma coisa
dita por Krishnamurti; por mais errada que me parecesse, eu me debruçava sobre
ela'. Que grande privilégio para a Sociedade Teosófica e para a
Fundação Krishnamurti, e para todos nós que tivemos a oportunidade de interagir
com Krishnamurti, de cuidar de uma pessoa assim, de publicar
seus livros, de tornar seus ensinamentos disponíveis para o mundo, ou
simplesmente estar com ele, conhecê-lo. Neste século XXI é
raro se encontrar um homem assim. Certa vez quando alguém lhe perguntou
'De onde o senhor vem?' ele respondeu, 'Eu venho do Vale dos Rishis'; e esse é
o lugar a que ele pertence, o Vale dos Rishis. |